O acordo "Petróleo por Água" de 2025 entre o Iraque e a Turquia é um pacto assinado em novembro de 2025. Segundo o acordo, o Iraque utilizará as receitas das exportações de petróleo para financiar projetos hídricos no país, conduzidos por empresas turcas, com o objetivo de solucionar a crise hídrica iraquiana. O arranjo é formalmente conhecido como Acordo-Quadro sobre o Mecanismo Financeiro para Projetos de Cooperação Hídrica.
Contexto O Iraque enfrenta uma crise hídrica contínua há anos, que se agravou durante o período de 2024-2025 devido à diminuição do fluxo de água nos rios Tigre e Eufrates, causada pelas mudanças climáticas, pela construção de barragens a montante, pela redução das chuvas e pela poluição. A escassez de água impactou severamente a agricultura, a saúde pública e os sistemas de abastecimento urbano, contribuindo para o desgaste econômico e ambiental.
O Iraque depende da Turquia para o abastecimento de água, já que tanto o Tigre quanto o Eufrates nascem na Turquia. Isso tem um grande impacto nas relações entre os dois países. Ao longo dos anos, Bagdá criticou frequentemente Ancara pelos projetos de barragens construídos a montante e pela liberação limitada de água. Por outro lado, Ancara afirma que a infraestrutura hídrica do Iraque é obsoleta e ineficiente.
Negociações e assinatura Antes da assinatura, foram realizadas discussões entre os dois países na tentativa de estruturar um mecanismo que permitisse ao Iraque alavancar sua riqueza petrolífera para atrair investimentos e especialistas técnicos para infraestrutura do setor hídrico, ao mesmo tempo em que fortalecesse as relações bilaterais antes das eleições gerais iraquianas. O acordo de petróleo por água foi assinado em 2 de novembro de 2025 em Bagdá. O primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, esteve presente durante a assinatura, assim como o ministro das Relações Exteriores iraquiano, Fuad Hussein, e o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, durante uma visita de Estado.
Mecanismo de operação Conforme o acordo, será criado um mecanismo financeiro para transferir parte das receitas de exportação de petróleo do Iraque, principalmente as provenientes das vendas para a Turquia, para uma conta específica. Essa conta será usada para financiar projetos de infraestrutura hídrica executados por empresas turcas. Esses projetos incluem a construção de barragens, a melhoria da irrigação e a recuperação de terras, a modernização do tratamento de águas residuais e a modernização dos sistemas de irrigação. O acordo é apresentado ao público como uma parceria única na qual o Iraque recebe investimentos em infraestrutura hídrica e a Turquia aumenta seus laços econômicos e sua influência na região. No entanto, muitos detalhes, como preços, participação nas receitas, cronogramas e obrigações legais, não foram totalmente divulgados.
Recepção e críticas O acordo anunciado gerou reações tanto nacionais quanto regionais. Em defesa do acordo estão autoridades iraquianas que apoiam essa abordagem pragmática para a crise hídrica do Iraque, utilizando suas receitas petrolíferas. Por outro lado, muitos ativistas ambientais, especialistas e comentaristas da oposição afirmam que a maioria dos detalhes não é conhecida do público e pode, na verdade, enfraquecer o controle do Iraque sobre seus próprios recursos hídricos. O acordo coloca importantes projetos hídricos em mãos estrangeiras e não garante que mais água fluirá para o Iraque a partir de rios a montante. Também apontam para o momento do acordo, que foi assinado pouco antes das eleições, e sugerem que ele pode ser motivado por política em vez de planejamento de longo prazo para a gestão da água.
Categoria:Relações entre Iraque e Turquia Categoria:Água e política Categoria:2025 nas relações internacionais