Twirwaneho (também grafado Twigwaneho e Twirweneho) é um grupo armado ativo na província de Quivu do Sul, na República Democrática do Congo (RDC).

Formado no final da década de 2000, o grupo se apresenta como uma força de autodefesa da comunidade baniamulenge, uma minoria étnica tútsi na região. Sob a liderança de Michel Rukunda, o grupo se estruturou em uma força militar coordenada, mas também é acusado de graves violações dos direitos humanos, incluindo o recrutamento forçado de crianças.

Aliado ao Movimento 23 de Março (M23) e a outros grupos armados, como o Red Tabara, o Twirwaneho desempenha um papel fundamental nos conflitos em curso no leste da RDC, onde é percebido tanto como um protetor por alguns membros da comunidade baniamulenge quanto como uma ameaça por outras comunidades e atores regionais. Em 2025, a milícia aderiu oficialmente à Aliança do Rio Congo (ARC).

História Origem O grupo armado Twirwaneho (também grafado Twigwaneho e Twirweneho, que significa "defendemos" em quiniamulenge) surgiu como um movimento de autodefesa que emergiu em 2008 em Quivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo (RDC). Este grupo, inicialmente formado por membros da comunidade baniamulenge — uma minoria tútsi quinxassa-congolesa — formada para proteger aldeias e o gado de pilhagens perpetradas por grupos Mai-Mai, particularmente em torno de Minembwe, nas terras altas da região.

Evolução O grupo surgiu num contexto regional marcado por décadas de conflito, tensões intercomunitárias persistentes e o legado do genocídio de 1994 contra os tútsis no Ruanda, que contribuiu para a desestabilização do leste da RDC. Composto principalmente por jovens civis baniamulenges, mobilizou-se esporadicamente sob a liderança de Rabani Ndagendererwa Musemakweli, antes de se dissolver gradualmente a partir de 2009.

O nome Twirwaneho reapareceu em 2015, quando membros da comunidade se reorganizaram sob o comando de David Muhoza, também conhecido como “El Shabaab”, em resposta aos abusos cometidos contra civis, particularmente em torno de Bijombo, pelo grupo armado Gumino, predominantemente baniamulenge. Esse ressurgimento da atividade ocorreu em um contexto de crescentes tensões nas Terras Altas (territórios de Fizi, Uvira e Mwenga), onde conflitos pelo controle de terras, recursos e transumância, bem como violência intercomunitária, alimentaram um ciclo de represálias desde 2019. Diante da intensificação dos confrontos com as milícias Mai-Mai e da incapacidade das autoridades quinxassa-congolesas de proteger a população baniamulenge, o grupo gradualmente se reestruturou em uma força armada organizada, evoluindo de um movimento local de autodefesa para um dos principais atores nos conflitos locais.

No início de 2020, Michel Rukunda (apelidado de Makanika), um oficial desertor das Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC), assumiu o comando militar do Twirwaneho. Sob sua liderança, o grupo se militarizou e expandiu gradualmente sua influência, fortalecendo-se por meio da deserção de oficiais e soldados da FARDC e por meio de novos combatentes, recrutados principalmente dentro da comunidade baniamulenge, tanto local quanto regional e internacionalmente, às vezes de forma forçada.

Em 2021, Twirwaneho entrou em confronto com as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) e as milícias Mai-Mai nos territórios de Mwenga, Fizi e Uvira, enquanto também disputava com o grupo Gumino o controle das Terras Altas de Minembwe. Após os reveses iniciais nas operações militares, os Twirwaneho retomaram a ofensiva, recrutaram combatentes e atacaram tanto as FARDC quanto civis e supostos apoiadores do Gumino.

Em 2022, em meio à violência intercomunitária e represálias entre grupos armados, os Twirwaneho envolveram-se ativamente em confrontos com as FARDC e as milícias Mai-Mai, notadamente a Força de Autodefesa de Biloze Bishambuke (FABB). Em 30 de setembro de 2022, supostos combatentes Twirwaneho atacaram a base da MONUSCO em Minembwe, matando um capacete azul paquistanês após simularem uma rendição. Um segundo ataque à base foi relatado em 5 de outubro de 2022, sem causar vítimas. Esses incidentes, considerados premeditados pela ONU, refletem a crescente oposição dos Twirwaneho aos programas de desarmamento e desmobilização conduzidos pela MONUSCO. Os Twirwaneho continuam a negar qualquer responsabilidade por esses ataques. O grupo também realiza ataques contra civis, particularmente as comunidades Bafuliro, Babembe e Banyindu, visando campos para pessoas deslocadas, saqueando casas e incediando infraestrutura local. Ao mesmo tempo, os Twirwaneho estão envolvidos em lutas pelo controle de recursos, como a mina Bigaragara, enquanto também são alvo de represálias dos Maï-Maï.

Em 19 de fevereiro de 2025, Michel Rukunda foi morto num ataque de drone realizado pelo exército quinxassa-congolês no quartel-general do Twirwaneho, nas montanhas de Gakangala, a dez quilómetros de Minembwe, no território de Fizi, em Quivu do Sul. Nos dias seguintes, o Twirwaneho juntou-se oficialmente à Aliança do Rio Congo (AFC). O coronel Charles Sematama, um desertor das FARDC que se juntou ao grupo armado Twirwaneho em 2021, tornou-se o líder militar da milícia baniamulenge. Freddy Kaniki, o presidente do Twirwaneho, é um dos coordenadores adjuntos da Aliança do Rio Congo (AFC).

Violações dos direitos humanos e sanções internacionais Os Twirwaneho são acusados pelas Nações Unidas, pela Human Rights Watch e pela Amnistia Internacional de utilizarem métodos controversos, incluindo o recrutamento forçado de crianças-soldados e a violência contra civis, contribuindo assim para o agravamento das tensões comunitárias e a persistência da violência no leste da República Democrática do Congo. O seu líder militar, Michel Rukunda, foi alvo de sanções da União Europeia, dos Estados Unidos e da ONU por estas violações dos direitos humanos. Ele foi morto a 19 de fevereiro de 2025, num ataque de drone realizado pelo exército quinxassa-congolês na região de Minembwe.

Nota

Bibliografia

Categoria:Grupos rebeldes da República Democrática do Congo