A historiografia goiana é toda uma vasta produção historiográfica que tematiza a História de Goiás enfocando a evolução particular desse espaço no tempo, sua formação histórica e geográfica, suas cidades, sua população, seus elementos sociais, econômicos e culturais. A historiografia goiana não se limita à produção de historiadores de formação (pois a criação de cursos de História, assim como a regulamentação profissional do ofício do historiador no Brasil foram tardias), mas àquelas narrativas que impactaram e constituíram o sentido da evolução histórica da sociedade goiana.

Dos cronistas, políticos e intelectuais que mais impactaram a construção de sentido sobre o passado goiano antes da expansão da atividade historiadora em meados da década de 1970 estão Luiz Antônio da Silva e Souza, Raymundo José da Cunha Mattos, Auguste de Saint-Hilaire, Luís D'Alincourt, José Martins Pereira de Alencastre, Johann B.E. Pohl, Camargo Fleury, Rodrigues Jardim e Americano do Brasil. Os viajantes Saint-Hilaire, D'Alincourt e Pohl, juntamente com os políticos Cunha Mattos e Silva e Souza são reputados pelas análises mais depreciativas da realidade "decadente", "atrasada", "desorganizada" e "imoral" do passado colonial e presente oitocentista na então Província de Goiás.. Cunha Mattos, nomeado Comandante de Armas da província em 1823, discursaria acerca da necessidade de impor à região o braço forte do Império para romper com o passado decadente.

Alencastre e Americano do Brasil, por outro lado, são nomes reconhecidos atualmente pela normatividade metodológica e recurso empírico à documentação histórica, ainda que a forma de representação seja marcada pela "mágoa", "tristeza", e portanto fruto de um passado decadente e negativo. Historiadores do século XXI reputam a Alencastre e Americano do Brasil o início da tradição memorialista da historiografia goiana que marcou as décadas seguintes. Essa tradição, que representava o uso político do passado para legitimar — ou combater — discursos de permanência e inércia política, reuniria três elementos constituintes do pensamento histórico goiano: a memória, a história e a região.

Essa produção historiográfica apresenta diferentes fases de produção, algumas alinhadas à desdobramentos nacionais ou inter-regionais, outras voltadas ao interesse dos pesquisadores nas dinâmicas e processos próprios da região.Houve até a década de 1980 uma predominância de narrativas que tentavam articular a história de Goiás à uma perspectiva de ampliação e desenvolvimento do Estado Nacional brasileiro, seja a partir das dicotomias (centro-periferia; litoral-sertão; moderno-atrasado), ou a partir da análise estrutural, centrada na longue durée ou no materialismo histórico. . Historiadores como Luiz Palacin, Gilka Salles, Paulo Bertran e Nasr Chaul são alguns dos representantes desse processo de renovação historiográfica, ocorrido entre as décadas de 1970 e 1990. Trata-se de uma geração marcada fortemente pelo debate acerca da decadência com conceito explicativo da experiência sócio-cultural da região entre os séculos XVIII e XIX.

A partir da década de 1980 houve uma nova expansão da malha universitária nacional, com a criação de novos programas de pós-graduação (PPG's) públicos e privados em todo o país. Em meados da década de 1990, a produção de trabalhos no campo historiográfico mais que duplicara desde a expansão.. A criação do Programa de Pós-Graduação em História da UFG (PPGH–UFG) ainda em 1972 marcou o início de um movimento profissionalizante e reordenador da historiografia do Estado. Da criação do PPGH até o ano de 2010, mais de 300 trabalhos foram defendidos, dos quais cerca de 60% tematizavam a história regional. Até o ano de 2020, mais da metade das teses e dissertações defendidas no PPGH-UFG tratavam da história de Goiás, tendo, ao longo desse período, passado por um processo de expansão temática e diversificação metodológica, que se relaciona com a consolidação do programa no País. Em 1996 a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC–GO) fundou o Instituto de Pesquisa Histórica do Brasil Central (IPHBC), que reuniu um acervo documental volumoso sobre a história de Goiás.

Atualmente, são as iniciativas dessas duas instituições que movimentam a pesquisa historiográfica regional, embora haja um descompasso em relação a outras regiões do Brasil, e uma dificuldade maior em estabelecer diálogos que superem a tradição memorialista do passado goiano, no âmbito da memória oficial e também na crítica da cultura material.

Historiadores

Dalísia Elizabeth Martins Doles Paulo Bertran Luis Palacín Nasr Fayad Chaul

Ver também

História de Goiás

Ligações externas

Programa de Pós-Graduação em História (PPGH–UFG) Lista de Dissertações e Teses do PPGH–UFG Historiografia Goiana do Século XXI (Catálogo de Cristiano Alencar Arrais e Alex Simiema)

Referências

Categoria:História de Goiás Categoria:Historiografia do Brasil