De Lugar Nenhum é um documentário do realizador português Miguel Gonçalves Mendes, produzido por Fernando Meirelles, sendo um retrato do premiado escritor Valter Hugo Mãe. A estreia mundial teve lugar na 49ª Mostra Internacional de São Paulo, um dos maiores e mais prestigiados da América Latina. O filme em Portugal tem estreia comercial prevista para o primeiro semestre de 2026.

Sinopse Depois do aclamado “José e Pilar” sobre o autor vencedor de Nobel José Saramago, e “Labirinto da Saudade”, sobre Eduardo Lourenço - Prémio Sophia de Melhor Documentário, da Academia Portuguesa de Cinema- Miguel Gonçalves Mendes revela-nos um retrato íntimo de Valter Hugo Mãe, um dos escritores mais singulares da literatura lusófona contemporânea.

Filmado ao longo de sete anos, “De Lugar Nenhum” acompanha o autor na escrita do seu romance “A Desumanização”, entre viagens pela Islândia, Brasil, Portugal, Colômbia e Macau. Uma meditação visual sobre solidão, perda e pertença, com participações da famosa cartunista Laerte Coutinho e do compositor islandês Hilmar Örn Hilmarsson, mentor de bandas como Sigur Ros e artistas como Bjork. Descrito por Lídia Jorge como “o trabalho de Miguel Gonçalves Mendes mais próximo da perfeição”, "De lugar nenhum” integra o ambicioso projecto “O Sentido da Vida”, ao qual o realizador dedicou os últimos 10 anos, composto por 9 longas metragens - distribuídas pela NOS Audiovisuais - e uma série para a RTP1. O realizador explica que “o projecto assenta num caleidoscópio de personagens contemporâneas que nos convidam a refletir sobre o que faz de nós, humanos, seres singulares”.

Repercussão Crítica na Imprensa Brasileira Segundo a Folha de São Paulo, “Valter Hugo Mãe faz manifesto contra solidão em documentário íntimo”. "De Lugar Nenhum" acompanha os anos em que o autor escreve "A Desumanização", romance que se passa no país nórdico e conta a história de uma menina cuja irmã gêmea morre. Segundo o autor, esta é a maior solidão que consegue imaginar, logo é a melhor oportunidade para pensar sobre o que é a nossa ligação com o outro. A história tinha que se ambientar naquele país pequeno e gelado com cidades em que todo mundo se conhece, povoadas por casinhas que parecem feitas de biscoito açucarado. Segundo Lilianna Bernartt, do coletivo Mídia Ninja, “Mais que “biográfico”, o filme é uma espécie de cartografia emocional onde vemos a escrita como uma travessia, como permanência no “entre-lugar”. Em vez de explicar o autor, o filme o observa em estado de procura, enquanto escreve sua nova obra — tornando-o mais numa experiência para o espectador em vez de um simples retrato. "De Lugar Nenhum” não encara a biografia como um arquivo, mas sim como um presença em formação. Em vez de empilhar fatos sobre o autor, o filme prefere acompanhar Valter Hugo Mãe na sua busca pela palavra. É justamente essa recusa pelo “perfil” que torna o documentário mais íntimo: a partir do momento em que não há a obrigação de se apresentar, o escritor e o público são colocados numa relação de proximidade, como se já nos conhecêssemos e tivéssemos a liberdade de aprofundar nossa relação.

Segundo Vinicius Oliveira do podcast OP, o carácter meio fantasioso do filme é justificado quando percebemos que a história a ser narrada no fundo é fruto da imaginação do autor. O documentário evita abordagens tradicionais, no sentido de procurar uma abordagem biográfica do retratado, permitindo que o próprio entrevistado conduza essa narrativa e revele o seu processo de escrita perante o público: “(…) e que processo: é fascinante mergulhar na mente e nas palavras do escritor, ser envolvido por seu olhar sensível e curioso”.

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