"All Good Things..." é o episódio final da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. Foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 23 de maio de 1994, tendo sido dirigido por Winrich Kolbe e escrito por Ronald D. Moore e Brannon Braga. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o capitão Jean-Luc Picard começa a ir e voltar no tempo entre seu presente, passado e futuro, sempre encontrando uma estranha anomalia que ameaça extinguir a espécie humana.

A produção do episódio ocorreu sob grandes restrições de tempo e enorme estresse para elenco e equipe. Moore e Braga tiveram apenas três semanas para desenvolverem toda a história e precisaram reescrever o roteiro mais de uma vez. A limitação de tempo também forçou a realização de reuniões de pré-produção sem uma história finalizada. Cenários e maquiagens foram modificados ou criados para os diferentes períodos temporais retratados no enredo, com cuidado especial para recriar o visual da Enterprise visto no episódio piloto "Encounter at Farpoint". As filmagens ocorreram entre março e abril de 1994.

"All Good Things..." teve a melhor audiência das sete temporadas de The Next Generation, sendo o programa mais assistido nos Estados Unidos em duas dezenas de mercados. Uma romantização foi escrita por Michael Jan Friedman e publicada pela Pocket Books para coincidir com a exibição. O episódio foi aclamado pela crítica especializada, sendo considerado um excelente final para a série. Foi indicado a quatro Prêmios Emmy do Primetime, vencendo um, além de também vencer o Prêmio Hugo de Melhor Apresentação Dramática. "All Good Things..." foi disponibilizado em mídia caseira em diferentes formatos.

Enredo O capitão Jean-Luc Picard está se movendo pelo tempo entre o presente; sete anos no passado, quando assumiu o comando da antes de sua primeira missão; e 25 anos no futuro, quando está aposentado e vivendo no vinhedo de sua família na França. No presente, ele leva a nave para a extremidade da Zona Neutra Romulana para investigar uma anomalia espacial. No futuro, ele consegue convencer sua ex-esposa, a capitão Beverly Picard, a levá-lo para a área da anomalia a bordo da nave científica USS Pasteur. No passado, a Frota Estelar cancela a missão da Enterprise para que em vez disso vá investigar a anomalia, mas Picard prossegue para poder se encontrar com o ser onipotente Q. Este leva Picard para seu tribunal e revela que o julgamento da humanidade nunca terminou, com a situação atual sendo a última chance da espécie de provar seu valor. Q revela ser o responsável pelas mudanças temporais de Picard e o desafia a solucionar o mistério da anomalia.

Picard alcança a anomalia nos três períodos e descobre que ela é maior no passado, porém não existe no futuro. As Enterprise do passado e presente escaneiam a anomalia com um pulso, mas a Pasteur é atacada e destruída por naves klingons. Sua tripulação é salva na última hora pela chegada da Enterprise sob o comando do almirante William Riker. Q leva Picard para a Terra de 3,5 bilhões de anos no passado, quando a anomalia é grande o bastante para englobar todo quadrante alfa da galáxia e desta forma impedir o surgimento de vida na Terra. A anomalia aparece no futuro e Picard descobre que ela foi criada por sua ações, sendo mantida por pulsos emitidos pelas naves nos três períodos temporais. É determinado que a anomalia e uma ruptura do tempo e anti-tempo que só pode ser fechada caso as três Enterprise entrem nela e criem campos estáticos por tempo suficiente. Picard leva as três naves para dentro e uma a uma elas são destruídas por danos catastróficos, com a Enterprise do futuro sendo a última a explodir.

Picard retorna para o tribunal de Q e este o parabeniza por conseguir pensar simultaneamente em três linhas do tempo para solucionar o problema, prova de que a humanidade pode evoluir mais. Q admite tê-lo ajudado com os saltos temporais, já que foi o próprio que colocou a humanidade nessa situação, explicando que a anomalia foi fechada no passado e o presente restaurado. Picard retorna para a Enterprise no presente e descobre que tudo está como estava antes. Os oficiais depois se juntam para seu jogo de pôquer tradicional e refletem sobre o futuro contado por Picard. Este decide participar do jogo pela primeira vez e expressa arrependimento de nunca ter feito isso antes.

Produção Antecedentes A decisão de encerrar Star Trek: The Next Generation na sétima temporada, quando a série estava no auge de sua popularidade, foi tomada pela Paramount Pictures por questões financeiras. Primeiro, como a série era transmitida diretamente por redifusão, havia preocupações de que o grande número de episódios disponíveis saturasse o mercado e fizesse com que emissoras pelo país deixassem de comprar episódios novos. Em paralelo, os custos de produção da série estavam aumentando, especialmente depois de elenco e equipe terem renegociado seus contratos após o fim da sexta temporada, diminuindo a margem de lucros do estúdio. Havia também o desejo de transferir o elenco de The Next Generation para a franquia cinematográfica e criar uma nova série de televisão, ambas opções que poderiam ser mais baratas do que uma nova temporada.

A equipe de roteiristas originalmente esperava que o episódio final da série fosse escrito pelo produtor executivo Michael Piller, porém ele na época estava ocupado com a produção da segunda temporada de Star Trek: Deep Space Nine e também no desenvolvimento da série de televisão que se tornaria Star Trek: Voyager. Jeri Taylor, a outra produtora executiva de The Next Generation, também estava ocupada desenvolvendo Voyager. A tarefa de escrever o episódio final foi assim passada para os roteiristas Ronald D. Moore e Brannon Braga. Os dois na época também estavam escrevendo o roteiro de Star Trek Generations, o filme que sucederia a série no cinema, forçando-os a trabalhar nas duas histórias ao mesmo tempo. A decisão de que o último episódio tivesse duas horas de duração foi tomada pela Paramount em dezembro de 1993.

Roteiro

Moore e Braga não puderam começar a escrever imediatamente porque antes precisavam completar seus comprometimentos com outros episódios: "Genesis" para Braga e "Journey's End" para Moore. Além disso, a pré-produção foi marcada para começar antes do penúltimo episódio, deixando aos dois apenas seis dias para criarem um primeiro rascunho da história quando o ideal teria sido um mês. Eles começaram a escrever nove dias antes do início da pré-produção e o processo de escrita foi complicado, com Braga afirmando que "Tudo que poderia dar errado deu errado". Eles precisaram reformular a história três vezes e reescrever o roteiro duas vezes, também tendo existido dificuldades para que elementos fossem aprovados. Para piorar, os dois tiveram um problema em seu computador e perderam um ato inteiro, enquanto Braga ficou com uma síndrome do túnel cárpico nos dedos de tanto digitar. Os roteiristas no total tiveram três semanas para escreverem o roteiro.

Moore originalmente propôs que o ser onipotente Q deveria estar envolvido na história e que o julgamento da humanidade do episódio piloto "Encounter at Farpoint" deveria ser revisitado. Braga, por sua vez, tinha antes proposto uma ideia para um episódio comum em que Alexander Rozhenko, filho do tenente Worf, sofreria um salto temporal de 25 anos e assumiria o lugar do seu eu do futuro, retornando então para o passado. Piller gostou das duas propostas e sugeriu que elas poderiam ser combinadas para formar o episódio final, com os roteiristas colocando o capitão Jean-Luc Picard como aquele que se moveria pelo tempo e envolvendo Q nessas mudanças. Com isto definido, Piller estabeleceu em um memorando de 7 de fevereiro de 1994 dois temas que deveriam ser abordados: a ideia de "família" nos períodos temporais visitados, um símbolo do "elenco, equipe, fãs e equipe de roteiristas ... todas as famílias de Star Trek: The Next Generation", bem como a preciosidade de cada momento da vida.

O episódio inicialmente teria Picard visitando quatro períodos temporais diferentes, com o quarto sendo sua assimilação pelos Borg em "The Best of Both Worlds". Neste período, Picard teria a ajuda de Hugh, o Borg, do episódio "I, Borg". Moore e Braga adicionaram esse enredo porque achavam que a ameaça da anomalia era algo muito abstrato e porque queriam trazer os Borg de volta, mas depois acharam que seria história demais para o episódio e assim este elemento foi cortado. O primeiro rascunho foi bem recebido pelo elenco e equipe, mas não por Piller, que achou que a segunda parte não tinha uma boa narrativa e precisava ser reescrita. Isto levou à eliminação de vários momentos entre personagens e também uma sequência em que a tripulação roubaria a no futuro, uma homenagem ao filme Star Trek III: The Search for Spock. Estas mudanças deixaram o elenco insatisfeito, com o ator Patrick Stewart chamando uma reunião em um fim de semana que fez com que várias cenas fossem restauradas.

A inclusão dos personagens da tenente Tasha Yar e do chefe Miles O'Brien no período do passado ocorreu para conectar a história com esse período temporal. O produtor executivo Rick Berman exigiu que, apesar da história mostrar o futuro dos personagens, este futuro teria que ser descartado ao final do episódio para manter as opções abertas para os filmes seguintes da franquia. Isto permitiu que os roteiristas alterassem elementos da história dos personagens e, segundo Moore, "brincar com as expectativas do público". Isto incluiu realizar o desejo dos fãs de que Picard e a doutora Beverly Crusher ficassem juntos como um casal, porém separando-os com um divórcio. O título "All Good Things..." veio da frase "tudo que é bom precisa acabar", que Moore achou que refletia as experiências dos dois roteiristas trabalhando em The Next Generation. Moore e Braga continuaram escrevendo o roteiro de Generations durante todo o processo de escrita do episódio final, o que muitas vezes criou confusões sobre qual história estavam trabalhando.

Direção de arte As dificuldades de desenvolvimento da história impediram que reuniões de pré-produção acontecessem com um roteiro completo. Segundo o diretor Winrich Kolbe, "Sempre era 'Bem, temos a Parte I e um esboço para a Parte II, nós temos a Parte II e um esboço para a Parte I, temos tudo menos o Ato 10 ... foi difícil'". Ele também comentou que achou que o episódio não estava recebendo a prioridade devida por conta de distrações, pois os atores estavam negociando seus contratos para Generations, havia ansiedade destes porque precisariam procurar novos empregos e também por conta de uma revisão do cronograma de filmagens para acomodar a atriz Gates McFadden, intérprete da doutora Beverly Crusher, que iria filmar o episódio piloto de outra série no Oregon. Este último fator forçou a adição de um décimo sétimo dia de filmagens por insistência de Kolbe.