Thabo Cecil Makgoba KStJ (nascido em 15 de dezembro de 1960) é um clérigo anglicano sul-africano e atual Arcebispo da Cidade do Cabo.
Biografia Makgoba frequentou a Escola Primária Pholosho e se formou na Orlando High School, Soweto, em 1976. Após passar no vestibular, ele tinha tentado se matricular na universidade em 1981, mas não conseguiu, pois teve que esperar pela aprovação ministerial por ser negro. Isso era necessário para cada ano de seus estudos na Universidade do Witwatersrand (Wits), uma universidade majoritariamente branca. Ele então se matriculou na Universidade do Norte (hoje Universidade de Limpopo). Na Universidade do Norte, houve boicotes, pessoas foram espancadas pela polícia e ele perdeu dois anos. Em 1984, Thabo foi aceito em Wits, quando a aprovação ministerial deixou de ser necessária. Em 1989, concluiu seu bacharelado em Psicologia Aplicada.
Em seguida, estudou para o ministério anglicano no St. Paul's College em Grahamstown, onde obteve um diploma em Teologia. Também obteve um mestrado em Psicologia Educacional na Wits, onde lecionou e foi Reitor da Knockando Residence no Wits College of Education, bem como Professor Sênior.
O ministério de Makgoba foi passado na Diocese de Joanesburgo, primeiro como cura na Catedral de Santa Maria, em Joanesburgo, e depois como capelão anglicano na Wits. Depois disso, ele foi nomeado reitor da Igreja de Santo Albano, Ferrairasdorp, em Joanesburgo, e mais tarde de Cristo Rei, em Sophiatown. Ele se tornou arquidiácono de Sophiatown em 1999.
Thabo é casado com Lungelwa Nothemba Makgoba (nascida em 1970) e eles têm dois filhos adultos. Conhecida como Lungi, ela trabalhou para o setor privado, fundou uma escola para crianças de rua e uma empresa de costura e tricô, é uma agricultura e ativista respeitada.
Thabo e Lungelwa são os fundadores da Archbishop Thabo Cecil Makgoba Trust, uma ONG com foco em educação, justiça social e segurança alimentar.
Episcopado Ele foi feito bispo de Queenstown (um bispo sufragâneo na Diocese de Grahamstown) em 25 de maio de 2002 e se tornou bispo diocesano de Grahamstown (em Makhanda) em 2004. Makgoba se tornou arcebispo da Cidade do Cabo em 31 de dezembro de 2007, a pessoa mais jovem a ser eleita para esta posição, assumindo em janeiro de 2008.
Makgoba concluiu seu doutorado pela Universidade da Cidade do Cabo em dezembro de 2009, recebendo a Bolsa Ernest Oppenheimer Memorial Trust para apoiar esta pesquisa. Durante três anos, lecionou para alunos de MBA na Universidade da Cidade do Cabo sobre Liderança Ética e Administração. Desde fevereiro de 2012, ele é o chanceler da Universidade do Cabo Ocidental.
De julho de 2011 a abril de 2012, foi membro da Comissão de Liberdade de Imprensa, presidida pelo juiz Pius Langa. Outras funções que exerceu, incluem: presidente da Rede Ambiental da Comunhão Anglicana e da Comissão Científica da Comunhão Anglicana; presidente do Conselho Sul-Africano de Igrejas; membro do conselho de diversas ONGs e organismos ecumênicos e inter-religiosos.
Desde 2017, a Universidade do Cabo Ocidental hospeda a palestra anual do Arcebispo Thabo Makgoba Development Trust. O arcebispo tem participado como palestrante e líder de debates em diversas reuniões do Fórum Econômico Mundial, do Fórum Mundial de Justiça e do Fórum Inter-religioso do G20.
Em 2018, Thabo foi empossado pelo Príncipe Ricardo, Duque de Gloucester, Grão-Prior da Venerável Ordem de São João, como Prior na África do Sul.
Opiniões
Homossexualidade e anglicanismo Makgoba está aberto a discussões sobre a postura anglicana ortodoxa em relação à homossexualidade. A Diocese Anglicana da Cidade do Cabo, após um Sínodo realizado em 2009, aprovou uma resolução convocando os bispos da Igreja Anglicana da África Austral a fornecer diretrizes pastorais para casais homossexuais que vivem em "uniões pactuadas". Ao mesmo tempo, foi aprovada uma emenda à resolução que previa que as diretrizes "considerassem a mentalidade da Comunhão Anglicana". Makgoba afirmou que a resolução foi "[...] um primeiro passo importante para dizer: 'Senhor, como exercemos o ministério neste contexto?'. Sou uma pessoa voltada para o desenvolvimento. Não acredito em grandes explosões. Se você jogar uma pedrinha na água, ela forma círculos concêntricos e, com sorte, a mudança virá daí".Ele também disse:"A África do Sul tem leis que aprovam a união civil neste contexto, mas não nos outros países da nossa província. Na África Central e no Norte de África, tanto a Igreja Anglicana como o Estado dizem 'não' [...] O motivo dessa resolução foi porque temos esses paroquianos, e a lei prevê que eles estejam nesse estado, então como respondemos pastoralmente a isso?"Em 2016, Makgoba declarou que estava "magoado" depois que um sínodo da igreja rejeitou uma proposta para permitir que os bispos licenciassem clérigos gays e lésbicas que estão em casamentos civis do mesmo sexo para ministrar em paróquias e rejeitou uma moção para prever orações de bênção a serem oferecidas para aqueles em casamentos civis do mesmo sexo. Após o sínodo, que abrangeu igrejas de Angola, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Santa Helena e Suazilândia, o arcebispo dirigiu "uma palavra para nossos irmãos e irmãs lésbicas e gays: fiquei profundamente magoado com o resultado do debate".
Em 2023, depois que o Sínodo dos bispos rejeitou uma proposta para abençoar uniões entre pessoas do mesmo sexo, os bispos votaram a favor da proposta de Makgoba de redigir orações que podem ser ditas pastoralmente com casais do mesmo sexo. Em 2024, o arcebispo apoiou a bênção de casais do mesmo sexo em uniões civis e falou a favor de duas dessas propostas no Sínodo Provincial; após o Sínodo rejeitar as duas propostas, Makgoba disse: "Eu esperava que tomássemos uma decisão para incorporar todo o povo de Deus, independentemente da sua sexualidade".
Política nacional Tal como os seus antecessores, utilizou a sua posição para fazer declarações políticas sobre assuntos da atualidade. Em outubro de 2009, apoiou a condenação do Bispo Rubin Phillip à violência no assentamento informal de Kennedy Road, no qual uma milícia local "agiu com o apoio das estruturas locais do CNA".
Em setembro de 2015, ele e os outros bispos da província eclesiástica rezaram no local do massacre de Marikana por todos os envolvidos no massacre. Makgoba deu-lhes a sua bênção.
No seu sermão de Natal de 2016, Makgoba rejeitou claramente o pedido do Presidente Jacob Zuma de que as igrejas não interferissem na política.
Em seu sermão da Páscoa de 2025, ele apontou que o partido do governo, Congresso Nacional Africano, age como se fosse o único a ter legitimidade, enquanto a oposição, no Aliança Democrática, age como se seu apoio eleitoral lhe desse o direito de anular as opiniões dos outros.
Política internacional Em outubro de 2023, ele emitiu uma declaração em apoio à rotulagem de Israel como um estado de apartheid:Quando sul-africanos negros que viveram sob o apartheid visitam Israel, os paralelos com o apartheid são impossíveis de ignorar. Se ficarmos parados e calados, seremos cúmplices da contínua opressão dos palestinos.
Se quisermos celebrar a paz para os palestinos e a segurança para os israelenses em nosso tempo, precisamos orar e trabalhar pela terra que chamamos de sagrada, pelo fim da ocupação de Gaza e da Cisjordânia e pelo pleno reconhecimento do direito inalienável dos palestinos à autodeterminação.No mês seguinte, o arcebispo enviou uma mensagem a uma marcha em solidariedade à Palestina na Cidade do Cabo.
Durante um evento de gala em Nova Iorque, em maio de 2025, o arcebispo pediu aos episcopais que pressionassem o governo dos Estados Unidos para manter abertos os programas da USAID para a África do Sul.
No mesmo mês, em uma declaração, ele apelou pela atenção internacional para a guerra em Gaza, apontando a ações do governo israelense como equivalentes "um crime de guerra e reforça a acusação de genocídio movida pelo governo sul-africano contra o Estado de Israel em Haia" e concluiu que "a única ferramenta que temos é nos manifestar e rezar para que o mundo inteiro reaja".
Caso John Smith Em 2024, o Arcebispo Thabo foi questionado pela mídia quanto ao tratamento da província e da Diocese da Cidade do Cabo quanto às alegações de abusos em série cometidas pelo ex-advogado britânico John Smyth no Reino Unido e no Zimbábue. Smiyth tinha residido na África do Sul, onde faleceu, e frequentou uma paróquia anglicana na Cidade do Cabo. Segundo o arcebispo, até aquele momento, nenhum caso de abuso cometido por Smyth na África do Sul foi relatado à igreja. Ainda apontou as atividades da Comissão para uma Igreja Segura e Inclusiva da Igreja da África do Sul.
Ele nomeou um painel de três pessoas para revisar o tratamento dado pela Igreja Anglicana na África do Sul aos relatos recebidos pela igreja sobre abusos cometidos por Smyth. Em janeiro de 2025, um dos três membros do painel renunciou após acusações feitas contra ele.
Após a publicação do relatório do inquérito no início de fevereiro, o qual diagnosticou que, mesmo sem relatos de casos, a Igreja Anglicana da África Austral expôs seus jovens a "um risco muito alto" de abusos durante seu tempo na África do Sul, o arcebispo pediu desculpas pela falha da igreja em alertar as paróquias sobre John Smyth. Ele declarou:“A responsabilidade é minha. Sendo assim, aceito as conclusões do Painel sem reservas. Reconheço que, durante o período em que Smyth esteve na Cidade do Cabo, o povo de Deus foi exposto ao potencial de abuso, e eu e a Diocese pedimos desculpas aos nossos fiéis e à comunidade em geral por não termos protegido as pessoas desse risco.”
Honrarias
2008 — Cruz de Santo Agostinho, concedida pelo Arcebispo de Canterbury, Rowan Williams 2009 — Doutor em Divindade honoris causa, Seminário Teológico Geral da Igreja Episcopal, Nova Iorque 2013 — Doutor honoris causa, Huron University College, London (Ontário) 2015 — Doutor em Divindade honoris causa, Escola de Teologia da Universidade do Sul, Sewanee 2016 — Doutor honoris causa, Universidade do Witwatersrand 2018 — Cavaleiro da Justiça da Venerável Ordem de São João, nomeado pela Rainha 2018 — Doutor honoris causa, Universidade de Stellenbosch 2019 — Doutor em Teologia honoris causa, Amherst College, Amherst 2023 — "Leão Tutzing", da Academia Evangélica Tutzing, por seu compromisso com a democracia 2023 — Prêmio de Direitos Humanos, Conferência de Igrejas de toda a África 2024 — Doutor em Direito honoris causa, Universidade de Rhodes 2024 — Doutor em Teologia honoris causa, Universidade do Estado Livre
Obras
Connectedness, 2005 Workplace Spirituality in a South African Mining Context, LAMBERT Academic Publishing, 2012. Faith and Courage: Praying with Mandela, Apg, 2019.
Ligações externas
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