O Partido Republicano Popular foi um partido político português do tempo da I República, surgido, em 23 de maio de 1920, sob a liderança de Júlio Martins, como resultado de uma cisão no seio do Partido Republicano Evolucionista. Embora de curta existência integrou cinco governos republicanos (o 25.º, 27.º, 28.º, 29.º e 33.º). História Aquando da criação do Partido Liberal Republicano, ocorrida a 8 de outubro de 1919 e liderado por António Granjo, que aglutinou o Partido Republicano Evolucionista, a União Republicana, o Partido Centrista Republicano e a Conjunção Republicana da Beira, vários deputados, mais à esquerda, do Partido Republicano Evolucionista, não aceitaram de bom grado o seu aparecimento e, sobretudo, a sua linha programática por a considerarem demasiado conservadora, o que, aliás, era assumido claramente pelos próprios liberais.
Assim, os referidos deputados do Partido Republicano Evolucionista, liderados por Júlio Martins, propondo-se regressar ao espírito republicano dos primeiros anos da I República, entraram de imediato em dissidência, formando, no Congresso da República, de modo autónomo e ainda em 1919, o Grupo Parlamentar Popular, ao qual se juntaram alguns elementos do Partido Democrático e independentes.
Em 23 de maio de 1920, durante um comício realizado no Teatro Águia de Ouro, no Porto, Júlio Martins anunciou oficialmente a criação do Partido Republicano Popular e a sua Plataforma política, base do que se propunham levar por diante se e quando alcançassem a governação do país.
Entre as medidas então propostas figuravam as reformas judiciária, agrária, do ensino, financeira e fiscal, com tributação mais alta para as grandes propriedades e companhias, bem como tinham os populares por objetivo o fomento económico, com base na industrialização e na nacionalização das minas e dos caminhos de ferro. Preconizavam também o saneamento do exército e o combate ao clericalismo, para que fossem respeitas as crenças íntimas de cada indivíduo.
O Partido Republicano Popular chegou ao poder logo no mês seguinte, tendo integrado, conjuntamente com outras forças políticas, os seguintes cinco governos de Portugal: de 26 de junho a 19 de julho de 1920, no 25.º governo republicano, presidido por António Maria da Silva, através de Vasco Guedes de Vasconcelos (ministro das colónias) e Fernando Teixeira Homem de Brederode (ministro da marinha); thumb|O 25.º governo republicano presidido por António Maria da Silva, que integrou dois ministros do Partido Republicano Popular de 20 a 30 de novembro de 1920, no 27.º governo republicano, presidido por Álvaro de Castro, através de Francisco da Cunha Leal (ministro das finanças) e Júlio Martins (ministro da marinha); de 30 de novembro de 1920 a 2 de março de 1921, no 28.º governo republicano, presidido por Liberato Pinto, através de Francisco da Cunha Leal (ministro das finanças) e Júlio Martins (ministro da marinha); thumb|O 29.º governo republicano presidido por Bernardino Machado, que integrou dois ministros do Partido Republicano Popular de 2 de março a 23 de maio de 1921, no 29.º governo republicano, presidido por Bernardino Machado, através de Fernando Teixeira Homem de Brederode (ministro da marinha) e Júlio Martins (ministro da instrução pública); e (já depois do violento pronunciamento militar contra o 31.º governo republicano, presidido por António Granjo, ocorrido a 19 de outubro de 1921 e conhecido como «Noite sangrenta», em que acaba sequestrado e é assassinado conjuntamente com outras figuras importantes do regime republicano) de 5 de novembro a 16 de dezembro de 1921, no 33.º governo republicano, presidido por Carlos Maia Pinto, através de Vasco Guedes de Vasconcelos (ministro da justiça e dos cultos).
No fim do ano de 1921 o partido entra em desagregação, vindo parte dos seus membros a contribuir para a criação, em 1923, do Partido Republicano Radical e do Partido Republicano Nacionalista. Membros destacados Foram membros destacados do Partido Republicano Popular:
Afonso de Macedo; Albano Miguel Alves: diretor do jornal “O Corgo”, órgão oficial do partido em Vila Real e membro da Comissão de propaganda de Vila Real; António Bravo: membro da Junta distrital do Porto; António Rovisco Pais; Artur de Barros Basto: capitão, membro da direção do Centro Republicano Popular do Porto; Augusto Gomes: membro da Junta distrital de Lisboa; César Procópio de Freitas: capitão-tenente, membro da Junta distrital de Lisboa; Estevão Pimentel; Fernando Teixeira Homem de Brederode: ministro e presidente da Junta distrital de Lisboa; Francisco da Cunha Leal: ministro, responsável pela rede sócio política de apoio nas freguesias, concelhos e distritos, estruturada através de Centros Republicanos Populares, e diretor do jornal “O Popular”, órgão oficial do partido em Lisboa; Francisco Farinhote (padre, Vila Nova de Foz Côa); Francisco Levita: membro da Comissão de propaganda de Lisboa; Francisco Xavier Pereira: coronel, membro da Junta distrital de Lisboa; Generoso Rocha: membro da Junta distrital do Porto e diretor do jornal “A Revolta”, órgão oficial do partido no Porto; José Carvalho dos Santos: presidente da Junta distrital de Viseu, diretor do jornal “A Acção” (1919-1925), órgão oficial do partido em Viseu em 1920-1921, e, de 2 de fevereiro a 30 de maio de 1921, Governador Civil do distrito de Viseu; José Paulo Lobo; José Prazeres da Costa; Júlio Martins: ministro e líder do partido e do Grupo Parlamentar Popular; Luís Nóbrega Quintal: membro da Junta distrital de Lisboa; Lúcio de Campos Martins: capitão, membro da Junta distrital de Lisboa; Manuel José da Silva: membro da Comissão de propaganda de Lisboa; Mário de Matos Cordeiro: alferes, membro da Comissão de propaganda de Lisboa; Olívio Malheiros: membro da Comissão de propaganda de Lisboa; Orlando Marçal: membro da Junta distrital do Porto; Pedro Morais Rosa; Vasco Guedes de Vasconcelos: ministro e sub-líder do Grupo Parlamentar Popular; Virgílio Correia: membro da Comissão de propaganda de Lisboa; Vítor Macedo Pinto: presidente da Junta distrital do Porto. Organização interna As principais estruturas políticas do Partido Republicano Popular foram as seguintes: Directório (composto por Júlio Martins, Vasco Guedes de Vasconcelos, Fernando Brederode, Vítor Macedo Pinto e Francisco da Cunha Leal); Juntas (ou Comissões) distritais; Juntas (ou Comissões) municipais; Juntas (ou Comissões) paroquiais (ou de freguesia); Comissões de propaganda distritais; Direções dos centros locais.
Categoria:Partidos políticos extintos da I República Categoria:Partidos políticos fundados em 1920 Categoria:Partidos políticos extintos