Paola Ricaurte Quijano (Bogotá, 1977) é pesquisadora, experta em Inteligência Artificial e feminismo. Foi nomeada na lista TIME 100 AI 2025, que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo em Inteligência Artificial, na categoria pensadoras. Nessa lista, foi destacada por ser autora do Manifesto por uma Inteligência Artificial Decolonial, um tratado bilingue que rejeita vieses culturais na IA; co-fundadora do Tierra Comum, uma rede de ativistas pela decolonização dos dados e pela sua liderança na Rede de Pesquisa em IA Feminista, uma iniciativa que oferece recursos para projetos de IA inclusiva.

Carreira e formação profissional Nascida em Bogotá, Colombia, fez bacharelado em Jornalismo Internacional e obteve menção honrosa na Universidade da Rússia, Moscou. Posteriormente, fez doutorado em Ciências da Linguagem com menção honrosa na linha de Análise do Discurso e Semiótica da Cultura na Escola Nacional de Antropologia e História. Atualmente mora e trabalha na cidade de México, onde é professora pesquisadora titular do Departamento de Mídias e Cultura Digital do Tecnológico de Monterrey. Também se desempenha como pesquisadora associada do Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard (2019- até o presente), onde também foi fellow (2018-2019).

Foi Edmundo O'Gorman Fellow no Instituto de Estudos Latino-americanos da Universidade de Columbia. Foi co-fundadora, junto de Nick Couldry e Ulises Mejias, do Tierra Comúm, organização que une ativistas, jornalistas, pessoas defensoras dos direiros humanos e acadêmicos que busquem descolonizar os dados. Atualmente coordena o núcleo da América Latina e do Caribe da rede Feminista de Pesquisa em Inteligência Artificial (FAIR), formada por ativistas, profissionais e acadêmicos dedicados a refletir sobre os desafios e oportunidades de criar sistemas de IA com uma abordagem feminista e decolonial no Sul Global, explorando estratégias para o desenvolvimento e promoção de IA mais inclusiva e equitativa.

Ricaurte participa en diversos comitês de expertos sobre Inteligência Artificial, como a Global Partnership for Artificial Intelligence (GPAI), o Global Index on Responsible AI e o Expert Group for the Implementation of the UNESCO Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. É membro da Aliança por Algoritmos Inclusivos e coordena o núcleo da América Latina e do Caribe da Rede Feminista de Pesquisa em Inteligência Artificial, cujo objetivo é criar e manter uma agenda de ativismo e de pesquisa feminista sobre IA criada por e para as mulheres.

Atuação como pesquisadora feminista no campo das tecnologias Paola Ricaurte Quijano vêm publicando estudos na área das mídias digitais há mais de uma década, inspirada por teorias decoloniais e pelo feminismo interseccional. Seu artigo "Data epistemologies, the coloniality of power, and resistance", publicado em 2019 no periódico Television & New Media, foi pioneiro, ao lado dos trabalhos de Nick Couldry e Ulises Mejias ao propor uma abordagem decolonial no campo das tecnologias e dos processos de dataficação. Junto desses e de outros pesquisadores, foi fundadora da iniciativa Tierra Común, organização que une ativistas, jornalistas, defensores dos direitos humanos, acadêmicos e outros cidadãos que buscam descolonizar os dados.

Foi co-autora do livro Global debates in the digital humanities, junto de Domenico Fiormonte, Sukanta Chaudhuri, editado pela University of Minesotta Press, no qual os autores propõem uma visão da pesquisa em Humanidades Digitais desde o Sul Global. Junto de Mariel Zasso, editou o livro Inteligencia Artificial Feminista: Hacia una agenda de Investigación en América Latina y el Caribe , que reúne os trabalhos de mais de 50 autores de distintos países, produto do núcleo da Rede de Pesquisa Feminista em Inteligência Artificial, núcleo da América Latina e do Caribe, que trazem pesquisas, reflexões, recomendações e materiais de referência para pensar a IA desde uma perspectiva crítica, feminista e desde o Sul Global.

Presença no Brasil Paola esteve no Brasil durante o 32º Encontro Nacional da Compós, quando realizou a conferência de abertura do evento, com o tema “Comunicação e rupturas ontológicas na sociedade algorítmica: a luta para reparar o sentido do comum”.  Por ocasição do encontro, ela concedeu uma entrevista às pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP), Ana Júlia de Freitas Carrijo e Ana Carolina Damboriarena Escosteguy, que foi publicada na revista Mídia e Cotidiano (Vol. 18, N. 3, set-dez de 2024), do Programa de Pós-Graduação Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ao responder às perguntas, Paola Ricaurte reconhece que há mais sensibilidade e ferramentas para combater as injustiças e desigualdades de gênero e a possibilidade de organização para enfrentá-las e destacou a importância de articular reflexões críticas com outros pesquisadores do Sul sobre dados e tecnologia. Na sua trajetória atual, a pesquisadora atua conectando demandas dos territórios com espaços de decisão internacional, buscando dar visibilidade a vozes marginalizadas.

Reconhecimentos

Em 2020, Ricaurte participou como experta nas discussões em torno da Aliança Global para a Inteligência Artificial na OCDE em representação do México, único país que não pertencia ao Norte Global. Em 2025, foi a única mexicana na lista de 100 pessoas mais influentes da IA segundo a revista TIME, por ser uma das vozes mais influentes sobre IA no Sul Global, entre líderes da IA do mundo como Sam Altman, Milagros Miceli e Karen Hao.

Categoria:Pesquisadores da inteligência artificial Categoria:Comunicação Categoria:Feministas