A Catedral de Nossa Senhora dos Remédios é um templo católico localizado em Caxias, sendo sede da Diocese de Caxias do Maranhão, sendo considerado um monumento de grande importância histórica, arquitetônica e religiosa para a cidade e para o estado. O templo está situado na Praça Magalhães de Almeida, no centro histórico de Caxias.
Histórico A edificação que hoje é Catedral teve início como uma capela. Em 20 de outubro de 1817, o português José Antônio de Oliveira, que liderava a Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, pediu ao vigário capitular do Maranhão licença para erguer uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, que seria padroeira do comércio.
Esse pedido reflete tanto o papel social da Igreja Católica naquele momento quanto o envolvimento de comerciantes e moradores locais com a devoção religiosa. A capela foi construída nas margens do Morro das Tabocas.
Em 1823, durante as tensões relacionadas à Independência do Brasil, a capela foi usada como local de reunião da câmara municipal da vila de Caxias para deliberar sobre adesão à causa da independência.
Na revolta da Balaiada (1839‑1841), o templo foi utilizado como depósito de pólvora e armamentos. Foi parcialmente destruído nesse período.
Em 1846, o engenheiro caxiense João Nunes de Campos, formado em Paris, foi contratado para reformar a capela. Foram feitas alterações significativas: mudança da fachada, construção de duas torres e ampliação da capela‑mor.
Em 1867, foi instalado um relógio de bronze vindouro da Europa (relógio de torre D’Jong do ano de 1842), o que demonstra a preocupação com ornamentos importados e com elementos sofisticados, típicos das paróquias urbanas mais prósperas. O relógio teve custo considerável, no valor de 2:209$879 (dois contos, duzentos e nove mil, oitocentos e setenta e nove réis).
Houve outras reformas no fim do século XIX, com conclusão aproximada em 1879.
Em 1939, com a criação da Diocese de Caxias do Maranhão pela bula Si qua dioecesis nimia do Papa Pio XII, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios foi elevada ao status de Catedral, tornando-se sede episcopal.
Elementos arquitetônicos A Catedral insere‑se num conjunto arquitetônico significativo no centro histórico de Caxias, composto por outras igrejas (como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José, Igreja de São Benedito, entre outras), pelo Palácio Episcopal, pelo Palácio do Comendador Alderico Silva etc. Estas edificações revelam diferentes estilos arquitetônicos, entre os quais colonial, neoclássico, eclético e moderno.
A Catedral, por sua função religiosa e histórica, também se constituiu em espaço simbólico de identidade local, participando dos momentos decisivos da história de Caxias: independência local, movimentos sociais (Balaiada), formação cívica, etc.
A Catedral exibe influências do neoclassicismo europeu, especialmente após as reformas realizadas no século XIX. Elementos como fachadas simétricas, uso de torres, frontispícios e relógios importados são indícios desse alinhamento com estilos arquitetônicos de matriz europeia.
Também existe uma mistura ou sobreposição de estilos, dado que a edificação foi modificada várias vezes ao longo de quase dois séculos. Isso é comum em igrejas coloniais e pós‑coloniais no Brasil, onde intervenções refletem disponibilidade de recursos, gosto local, influências externas e necessidades litúrgicas.
A planta da catedral é retangular, composta de átrio, nave central, naves laterais, capela-mor, sacristia nas laterais e suas torres sineiras laterais, estas construídas na reforma de 1846, e que lhe confere uma expressão monumental, típica de igrejas‑matrizes e catedrais do século XIX. O piso em ladrilho hidráulico e lajota cerâmica.
Destacam-se quatro lápides do século XIX, confeccionadas em mármore e lioz de Portugal, além do retábulo-mor e do retábulo lateral, ambos datados da primeira metade do século XIX. A pia de água benta também pertence ao século XIX, assim como a portada principal da igreja.
Entre os itens de 1846, estão o guarda-corpo do coro, a escada de madeira e a grimpa localizada no alto da torre sineira. Há ainda um gradil datado de 1879. No campo da escultura sacra, merecem destaque a imagem de Nossa Senhora dos Remédios, esculpida em madeira no ano de 1817, e a escultura em entalho de Santo Antônio, também da primeira metade do século XIX.
Completam o conjunto quatro sinos, produzidos por volta da metade do século XIX, todos compondo um acervo de grande valor histórico, artístico e religioso.
O frontispício sofreu alterações quanto à fachada principal no mesmo período, ajustando‑se à nova estética: maior verticalização, ênfase nas torres e ornamentos mais refinados.
O relógio de torre, de bronze, é peça de destaque. Além de utilitário, é símbolo de prestígio, de inserção de objetos importados no acervo funcional da Igreja.
Internamente, embora haja menos documentação detalhada, menciona‑se altar‑mor, forro, piso decorado, imagens sacras, santos adornados, que remetem a práticas litúrgicas tradicionais e ao uso de materiais e técnicas de decoração sacra.
Referências
Categoria:Catedrais católicas do Brasil Categoria:Catedrais do Maranhão Categoria:Cultura de Caxias (Maranhão)