Adolf Hermann Erich Krapft (Ibirubá, 7 de julho de 1921 — União Soviética, 19 de março de 1949) foi um brasileiro de ascendência alemã que serviu como oficial da Schutzstaffel (SS) durante a Segunda Guerra Mundial. Sua história é lembrada sobretudo pela lápide localizada no cemitério municipal de Ibirubá, no Rio Grande do Sul, que traz a insígnia da Schutzstaffel (SS) em destaque, fato que chama atenção de estudiosos e curiosos.

Biografia Adolf Krapft nasceu em 7 de julho de 1921, em Ibirubá, município do interior do Rio Grande do Sul que recebeu forte presença de imigrantes alemães desde o final do século XIX. Descendente de colonos germânicos, cresceu em um ambiente culturalmente marcado pela língua, tradições e instituições alemãs.

Durante a década de 1930, o fortalecimento do nacional-socialismo na Alemanha também encontrou eco em comunidades germânicas na América do Sul, incluindo o Brasil. Há indícios de que Krapft tenha tido contato com associações juvenis de apoio nazista, ligadas à Juventude Hitlerista, que chegaram a manter núcleos no sul do Brasil.

Segunda Guerra Mundial Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, muitos descendentes de alemães da América do Sul viajaram à Europa para se engajar no esforço de guerra, seja por idealismo, seja por influência da política de retorno ao Reich (Heim ins Reich). Adolf Krapft teria se alistado no exército alemão nesse contexto.

A escassez de soldados experientes nos últimos anos da guerra levou à incorporação de jovens e recrutas inexperientes em unidades de combate. Krapft alcançou a patente de oficial dentro da SS, organização paramilitar ligada ao regime nazista.

Pela fotografia em seu memorial de Ibirubá, Adolf Krapft seria, em algum momento de sua atuação, um Oberscharfuhrer, uma condição de não comissionado, ou seja, um soldado importante, líder de tropa, mas não um oficial de carreira. Os documentos russos referente ao gulag de Skopin, com o registro de seu falecimento, registram a condição de "Ober-Gefreit", ou seja um soldado com importância, mas não comissionado.

Cativeiro e morte Ao final da guerra, em maio de 1945, a Alemanha Nacional-Socialista rendeu-se às forças Aliadas. Krapft foi capturado pelo Exército Vermelho no front oriental, não havendo detalhes sobre local e data de captura, e enviado a campos de prisioneiros soviéticos. Ele morreu em cativeiro em 19 de março de 1949, nos últimos dias do inverno, aos 27 anos de idade, fato comum entre milhares de militares alemães detidos na União Soviética.

O Gulag onde foi preso registrou seu sepultamento. Ele é o 186º alemão a morrer no campo de Skopin, o primeiro do ano de 1949, conforme o registro recuperado décadas depois e traduzido a partir do russo para o alemão. Nesse campo faleceram 202 alemães, 86 poloneses (incluindo um brigadeiro general), 9 húngaros e 8 austríacos. Como consequência, a lápide de Ibirubá provavelmente é um memorial, ao invés de um túmulo, propriamente definido, ainda que localizado no cemitério local.

O ano de 1949 viu uma queda significativa de prisioneiros alemães entre os soviéticos, seja por morte, seja por libertação voluntária, porém a tolerância russa não alcançou Krapft. Possivelmente sua afiliação à SS, conhecida pela lealdade ideológica ao regime, tenha atraído pouca simpatia dos russos para uma libertação anterior a 1949.

Um livro em russo foi publicado pela médica, a partir de 1945, do Gulag de Skopin. A oncologista Ina Pavlovna Kuznetsova publicou "Zona de Misericordia", relatando os casos e o contexto dos atendidos na instalação. O livro pode ser encontrado na internet, em russo, sob domínio público.

Legado miniaturadaimagem|Esta é a foto da lápide do brasileiro oficial da SS Adolf Hermann Erich Krapft, localizada no cemitério de Ibirubá (RS), Brasil, município brasileiro que recebeu forte presença de imigrantes alemães. A lápide de Krapft encontra-se no cemitério de Ibirubá, Rio Grande do Sul. O túmulo, que traz gravada a insígnia da SS em sua gola no retrato, tornou-se objeto de interesse histórico e cultural, por evidenciar a participação de descendentes de alemães brasileiros no esforço de guerra nazista.

Ver também Imigração alemã no Brasil Brasileiros na Segunda Guerra Mundial Heim ins Reich Juventude Hitlerista

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