O voo Cruzeiro do Sul 412 era uma rota comercial doméstica operada pela Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, partindo de Porto Alegre com destino ao Rio de Janeiro, então capital federal, e escalas em Florianópolis, São José dos Pinhais e São Paulo. Na tarde de 16 de junho de 1958, a aeronave que realizava a rota, um Convair CV-440 prefixo PP-CEP, decolou de Porto Alegre em direção ao Rio de Janeiro e fez escala em Florianópolis, onde embarcaram figuras ilustres da política brasileira e catarinense da época, como o ex-presidente Nereu Ramos, o governador de Santa Catarina Jorge Lacerda e o deputado federal Leoberto Leal.
Durante a aproximação ao Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, o piloto recebeu instruções para o procedimento de pouso. Entretanto, ao realizar a curva de aproximação, a aeronave entrou em uma nuvem de chuva acompanhada de fortes ventos, o que alterou a taxa de descida. Poucos instantes depois, o avião colidiu com o solo na localidade de Colônia Murici, em São José dos Pinhais, a poucos quilômetros do aeroporto.
Aeronave Após uma tentativa malsucedida de expandir suas operações para os Estados Unidos, a Cruzeiro do Sul iniciou a modernização de sua frota, substituindo os antigos Douglas DC-4 por aeronaves mais recentes da fabricante Convair. O modelo escolhido para substituir o DC-3 foi o Convair 340, adquirido novo diretamente da fábrica, com a primeira unidade recebida em 1954.
Em 1958, a empresa recebeu cinco unidades do Convair 440, também encomendadas diretamente da fábrica. O modelo, uma versão aprimorada do CV-340, ficou conhecido como "Metropolitan" e incorporava diversas melhorias, incluindo avanços aerodinâmicos e a instalação de radar meteorológico.
Acidente O avião havia partido de Porto Alegre e feito escala em Florianópolis, onde embarcaram diversas figuras políticas do Brasil. A caminho de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no final da tarde daquele dia 16, a região enfrentava fortes chuvas nas imediações do Aeroporto Afonso Pena. Pelo rádio, o piloto solicitou permissão para o pouso, mas a torre solicitou que a aeronave aguardasse a decolagem de outro avião.
Enquanto a visibilidade continuava a se deteriorar, a aeronave foi surpreendida pelo temporal durante uma manobra de aproximação e acabou caindo na localidade de Capão do Serrado, em Colônia Murici, a cerca de 8 km do aeroporto. A localidade onde o avião caiu era de difícil acesso e, apesar das condições adversas, dois sobreviventes conseguiram caminhar por alguns quilômetros até encontrarem um morador da região, que prestou auxílio.
Consequências
O acidente deixou 21 mortos, entre eles o ministro da Justiça e ex-presidente Nereu Ramos, o governador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, o deputado federal Leoberto Leal e outras figuras importantes, como o padre Oswaldo Gomes, da Companhia de Jesus, fundador do Colégio Medianeira em Curitiba.
De acordo com o relatório, a aeronave voava em condições meteorológicas adversas, nas quais correntes descendentes afetaram a taxa de descida, fazendo com que perdesse altitude e colidisse com o solo. Esse fato pode ser corroborado por relatos de pessoas que presenciaram a tragédia, como o agricultor Leonardo Valenga (falecido em 2020), que participou dos esforços de resgate.
Em Colônia Murici, o acidente é lembrado por pessoas mais velhas que presenciaram e ajudaram os esforços de resgate, e, o local frequentemente foi frequentado por detectoristas, que chegaram a encontrar uma moeda da época, uma colher e pedaços da fuselagem do avião.
Ver também
Acidente do Piper Aztec prefixo PP-ETT em 1967 (acidente que vitimou o também ex-presidente Humberto Castelo Branco)
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