Agenor Moreira Sampaio (Santos, 1891 - Rio de Janeiro, 1962), mais conhecido como Mestre Sinhozinho foi um conhecido capoeirista, preparador físico, lutador e policial brasileiro.

Biografia Filho de Anna Isolina Moreira Sampaio e o Tenente-coronel José Moreira de Sampaio, chefe político e Intendente da cidade de Santos, Agenor tinha 7 irmãos. Era descendente de Francisco Manuel da Silva, compositor do Hino Nacional brasileiro.

Segundo Ruy Castro, Agenor "esteve para a cultura física no Brasil como seus contemporâneos Leônidas da Silva para o Futebol, Orlando Silva para a música popular e Getúlio Vargas para a política. Como atleta, ele aliava destreza, talento e força, numa época de brasileiros raquíticos e desnutridos. Como professor, repassou o que sabia, fez discípulos famosos e formou três gerações de atletas.". O mesmo escritor descreve Sinhozinho como um mulato de baixa estatura, de tórax enorme, mãos pequenas e pescoço, tronco e "braços de ferro".

Além da sua trajetória no esporte, a qual foi repleta de destaques em várias modalidades, Agenor foi instrutor da primeira turma da Polícia Especial criada por Getúlio Vargas. A partir de 1935, se tornou policial e mestre de educação física na Polícia de Vigilância, até o momento de sua aposentadoria como Oficial de Vigilância.

Sinhozinho era considerado boêmio, de personalidade forte e marcante, contando com um tom violento mas ao mesmo tempo generoso, voluntário e amigável. Ruy Castro, por sua vez, descreveu ele uma pessoa tímida, modesta e generosa.

Faleceu em 1962 em Ipanema, tendo um busto em sua homenagem e uma rua com seu nome na Ilha do Governador.

Carreira esportiva Ele foi autodidata no estudo da Educação Física, destacando-se em várias modalidades esportivas dos anos 1910 aos anos 1950, formando campeões em halterofilismo, salto, remo, boxe, futebol e outros esportes. Também foi preparador físico de diversos clubes cariocas como o Helênico Atlético Clube (em 1924), o America Football Club (1926), o Clube de Regatas do Flamengo (1934) e o Fluminense Football Club (1936), ministrando ginástica, lutas, atletismo e futebol.

Sua carreira nos esportes iniciou em 1904, quando se tornou sócio-aluno no Club Esperia de São Paulo. Posteriormente, passou pelos clubes Atlético Paulistano e pela Associação Atlética das Palmeiras, ainda em São Paulo. Em 1907, ingressou no Club Força e Coragem permanecendo lá até se mudar para o Rio de Janeiro em 1908. Chegando lá, começou a morar em São Cristóvão e passou a morar próximo de Zeca Floriano, filho de Floriano Peixoto e lutador da época, treinando por alguns anos com o exímio capoeirista e artista marcial de várias lutas de ringue. Então, foi se tornando conhecido nas rodas esportivas e boêmias da cidade ao lado de Bororó, Antenor da Praia, Lincoln, Zenha, Silvio Pessoa, Beijoca, Elite, entre outros.

Com o aviador Edu Chaves, ele aprendeu a luta greco-romana, ginástica em aparelhos e o boxe francês (savatté). Em 1907, ele já era vencedor do torneio de luta greco-romana em sua categoria. Também foi campeão de queda-de-braço, modalidade na qual nunca havia vencido. Agenor também foi um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, junto com João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira, e Zenha, do qual saiu em 1909 para estudar a “Educação Physica”, por meio de tratados sobre a “gymnastica corporal”.

Em 1910, ele foi vencedor de um torneio de força, no Clube de Tiro Federal, onde concorreu até mesmo com praças do Exército. Tal competição teve como juízes o Dr. Fernando Soledade e, respectivamente, o Dr. Alvaro Zamith. Ainda em 1910, jogou no primeiro time de futebol do Sport Mangueira e praticou atletismo e competiu nas festas do Rio Cricket Athletic Assossiation de Nichteroy.

Em 1915 retornou a participar do futebol no Sport Mangueira, e já em 1916, ganhou o campeonato de leves, de pesos e alteres, pelo Club Gymnastico Portuguez. Neste mesmo ano, Mário Aleixo, o convida a ensinar luta greco-romana na recém-inaugurada academia de ginástica da União dos Empregados do Comércio, no centro do Rio de Janeiro. No ano seguinte, venceu todos os campeonatos de pesos e alteres que disputou e bateu vários recordes. Mas os mesmos não foram homologados naquele ano.

Em 1922, iniciou como instrutor de luta romana e treinador de futebol no Clube de Regatas Flamengo, saindo do clube no ano seguinte. Em 1925, no Clube Hellenico, foi treinador de diversos atletas, incluindo Ostinio Guimarães, que bateu o recorde carioca de arremesso de disco. A partir de 1926, atuou, inclusive como massagista, no América Futebol Clube até o ano de 1931.

Capoeira Seu interesse pela Capoeira carioca teve início após assistir a célebre luta ocorrida no dia 1º de maio de 1909, em que o capoeira Cyriaco derrotou o japonês Sada Miyako. Assim, Sinhozinho se aproxima do meio da capoeiragem carioca, provavelmente no Morro de Santo Antônio, mas também no convívio com boêmios, malandros da Lapa e trabalhadores da zona portuária.

No ano de 1920, Mário Aleixo e o jornalista Raul Pederneiras criam uma academia de capoeiragem em uma das salas deste clube. Assim, Agenor começa a fazer parte do grupo que faz apresentações de ginástica brasileira (termo da época para designar a capoeiragem).

Em 1930, Agenor cria sua academia: o Clube Nacional de Gymnastica, instalado na Rua do Rosário, 133 (Centro do Rio de Janeiro). Posteriormente, suas academias mudam de endereço em diversas ruas distintas de Ipanema (todas em terrenos baldios cedidos por amigos): primeiro na esquina da Rua Paul Redfern com a praia, depois na Vieira Souto; na Rua Visconde de Pirajá, posteriormente na Barão da Torre, em frente ao Colégio Notre Dame e, finalmente, na Rua Alberto de Campos. Suas aulas eram gratuitas, sendo ministradas para uma turma de alunos que aprendiam um estilo próprio de capoeiragem baseado na capoeira das antigas maltas cariocas, sem nenhum acompanhamento musical e voltado para o combate, estilo diferente dos que se conhecia até então. Sua aula era focada no combate, fazendo seus alunos praticarem os golpes de forma repetida em sacos e bolas até atingir a perfeição, sem ritmos, cantos e sem referências à origem afro-brasileira da capoeiragem. Sua prática da capoeira é comparada à de Mestre Bimba, mesmo sem o ter conhecido, já que misturou a capoeira que aprendeu nas ruas à luta greco-romana e ao boxe. Figuras ilustres da sociedade carioca como Tom Jobim e Rudolf Hermany passaram pela sua escola, sendo este último um defensor de Sinhozinho e divulgador de suas práticas. Sinhozinho possuía boa aproximação da elite carioca da época, de modo a dar aulas para muitas pessoas dessa classe social.

Em 1951, passou a ensinar capoeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade Brasil) no Salão da Escola Nacional de Educação Física, localizada na Praia Vermelha.

Sinhozinho formou duas gerações de capoeiristas: uma durante a primeira metade da década de 1930 e outra logo após o término da Segunda Guerra Mundial, após 1946 principalmente. A primeira geração teve como expoente seu aluno Andre Jansen, o qual foi campeão carioca de capoeiragem e goleiro do Botafogo. Já a segunda geração da Capoeira de Sinhô é bem mais numerosa e proporcionou maior impacto. Entre seus discípulos desta segunda geração, podem ser citados Luiz Pereira Aguiar (campeão brasileiro de capoeira e de levantamento de peso), Rudolf de Otero Hermanny (professor de educação física, capoeira e lutador, campeão brasileiro e Pan-Americano por equipe de Judô em 1960, além de preparador físico da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1966), Joaquim Gomes, também conhecido por Quim, Carlos Alberto Pettezzoni Salgado (o qual apresentou a capoeira em 1954 nos Estados Unidos no New Orlans Athletic Club e em TVs norte-americanas), Carlos Alberto Monteiro Rego e Roberto William. Sua seleção de alunos era bastante rigorosa, uma vez que ele ensinava gratuitamente. Treinavam em média três vezes por semana por, no mínimo, vinte minutos. As roupas, essencialmente esportivas, eram composta por tênis e short e ele buscava definir uma dieta apropriada para atletas.

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