Maria Amélia Macedo Teixeira Alves Furtado Luzes (Portugal, 14 de outubro de 1931 - Lisboa, 30 de julho de 2020), foi uma enfermeira, política (militante do Partido Socialista) e dirigente associativa portuguesa, que dedicou a sua vida ao voluntariado e a causas humanitárias, em defesa das pessoas mais vulneráveis, no seio da Cruz Vermelha Portuguesa, que representou no Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, e onde foi presidente da delegação de Lisboa, e nas ONG’s CSARA (Comissão Socialista de Apoio aos Retornados) e ASAS (Associação para Serviços de Apoio Social), em que foi vice-presidente da direção. Biografia Atividade política e de assistência social de 1975 a 1980, integrou a equipa de colaboradores voluntários da CSARA - Comissão Socialista de Apoio aos Retornados, que deu a apoio a milhares de pessoas que abandonaram Angola, Guiné e Moçambique e chegaram a Lisboa durante o processo de descolonização e independência das ex-colónias portuguesas de África, providenciando-lhes alimentação, roupas, medicamentos, brinquedos, assistência médica e apoio jurídico (com advogados e médicos que trabalharam pro bono), oportunidades de emprego, em Portugal e no estrangeiro, bem como alojamento, temporário e definitivo. Com efeito, oferecidas pela organização Norsk Folkehjelp (Ajuda Popular da Noruega), a CSARA montou e entregou a carenciados de habitação, dezenas de casas pré-fabricadas, em terrenos cedidos pelas autarquias, em Aveiro, Cantanhede, Ermesinde, Marco de Canaveses, Vila da Feira, Mirandela, Porto, Vila Praia de Âncora e nos Bairros de Santa Maria (Loures) e Arroja (Odivelas), e ainda móveis e utensílios domésticos; miniaturadaimagem |Maria Amélia Luzes (ao centro da primeira fila) candidata nas eleições autárquicas de 1976 em 1976, nas primeiras eleições autárquicas em democracia, integra a lista do Partido Socialista para a assembleia de freguesia de São Sebastião da Pedreira, encabeçada por Maria José Gama, de que fizeram também parte, entre outros, o ator Raul Solnado e os médicos Miller Guerra e Joshua Ruah; em 1977, foi, com Maria José Gama e Maria Irene Salgado Zenha, fundadora da ASAS - Associação para Serviços de Apoio Social, instituição particular de solidariedade social, dirigida à terceira idade, onde, em diversos mandatos e por eleição, foi, entre 1982 e 2020, vice-presidente de direção, ocupou outros cargos na direção, sendo ainda responsável técnica pelo setor de enfermagem. ASAS que, para além do lar residencial, centro de dia e apoio domiciliário facultado aos seus utentes, igualmente desenvolveu ajuda à comunidade em situações de crise ou catástrofe, sendo de destacar a atribuição de bolsas de estudo e instrumentos de trabalho, visitas e apoio a bairros carenciados, em Lisboa e na sua periferia, e ainda do subsídio destinado à reconstrução de casas após o grande sismo dos Açores de 1980;Conforme cópias das atas da assembleia-geral da ASAS (Associação para Serviços de Apoio Social) e relações dos membros dos órgãos sociais da instituição, enviadas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e arquivadas naquele departamento governamental, consultadas em 28 de agosto de 2025, bem como aos seus Estatutos publicados no Diário da República n.º 54 (IIIª Série), de 5 de março de 1977

miniaturadaimagem|As dirigentes da ASAS: Maria do Pilar Mourão-Ferreira (em baixo à esquerda), Maria Manuela Furtado e Maria Rosa Gonçalves Ferreira (em cima da esquerda para a direita) e Maria José Gama e Maria Amélia Furtado Luzes (em baixo da direita para a esquerda), Lisboa, 15 de novembro de 2012 miniaturadaimagem|Maria Amélia Furtado Luzes (à esquerda) com Maria José Gama no ato de recebimento de uma viatura para a ASAS, oferecida pelo Montepio Geral no âmbito do programa «Frota solidária», Lisboa, 17 de maio de 2012

entre 1997 e 2003, foi presidente da delegação da Cruz Vermelha Portuguesa de Lisboa; na Expo’98, foi comissária do pavilhão da Cruz Vermelha; em junho de 2000, foi designada, pelo ministro do trabalho e da solidariedade, Eduardo Ferro Rodrigues, membro do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, em representação da Cruz Vermelha Portuguesa. Vida pessoal Nasceu em 14 de outubro de 1931, sendo filha do militar e médico, Diogo Guilherme da Silva Alves Furtado, que foi professor da faculdade de medicina, diretor do Hospital Militar Principal, diretor dos serviços de neurologia dos hospitais civis de Lisboa, investigador do instituto nacional de oncologia, dirigente do Sporting Clube de Portugal e fundador da Casa de Saúde de Carnaxide, de que Maria Amélia foi coproprietária, por herança do pai.Era irmã de Maria Manuela Furtado (1935-2021), apresentadora, locutora e a primeira mulher a ocupar um cargo na direção na RTP, tendo sido diretora das Relações Internacionais daquela estação de televisão durante 20 anos.Foi casada com o professor universitário (da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa), médico neurologista e psiquiatra Pedro Rodrigues Formigal Luzes (1927-2012), que conheceu na Suíça, quando ali cursou enfermagem e ele, em Genebra, se formava em psicanálise, na sequência do que viria a fundar a Sociedade Portuguesa de Psicanálise, tendo sido seu presidente, bem como foi fundador da Revista Análise Psicológica e seu primeiro diretor, e também diretor da Revista da Associação Portuguesa de Psicologia.Teve dois filhos: a médica Bárbara Furtado Luzes Padeira e Diogo Furtado Luzes, precocemente falecido, bem como sua mulher, tendo Maria Amélia sido tutora, até à maioridade, da neta Marta Luzes, economista, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington.

Referências

Categoria: Naturais de Lisboa Categoria: Nascidos em 1931 Categoria:Mortos em 2020 Categoria:Enfermeiras de Portugal Categoria: Políticos de Portugal Categoria:Ativistas políticos Categoria:Ativistas de Portugal Categoria:Políticos do Partido Socialista (Portugal) Categoria:Políticos portugueses do século XX Categoria:Mulheres do século XX Categoria:Mulheres do século XXI Categoria:Portuguesas do século XX Categoria:Portuguesas do século XXI