Alexandrina da Silva Couto dos Santos (Campos dos Goytacazes – RJ, 6 de abril de 1859 — Campinas – SP, 5 de abril de 1934) foi uma jornalista e poetisa brasileira, considerada a primeira mulher a escrever poesia satírica e escatológica no Brasil. Alexandrina também utilizou os pseudônimos Mlle. Alex Silva, Quincas Sodré e Marquesa de Marilá (em paródia ao Marquês de Maricá). De família culta e religiosa, destacou-se por sua veia humorística e crítica social.
Vida Após ficar viúva, Alexandrina mudou-se para Campinas, onde passou a viver com seu irmão, o médico Guilherme da Silva. O historiador Celso de Mello Pupo a menciona como figura atuante nos círculos intelectuais da cidade na década de 1890. Seus manuscritos foram preservados por seu parente, o escritor Guilherme Figueiredo - seu sobrinho-neto, que a definiu como uma das primeiras autoras satíricas do país.
Obra Alexandrina não chegou a publicar livros, mas deixou um caderno manuscrito com 269 páginas, contendo 72 poemas de sua autoria. Na capa do caderno lia-se: “Pensamentos de diversos escritores, máximas, provérbios, etc. etc. — Coleção pertencente a Mlle. Alex Silva [Quincas Sodré]”. Além dos próprios poemas, o manuscrito contém transcrições de obras de autores românticos, como Victor Hugo, Lamartine, Alexandre Herculano, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Joaquim Manuel de Macedo, bem como provérbios e pensamentos diversos. Embora não tenha publicado livros, parte de sua obra circulou em manuscritos, como o poema “Episódio das baronesas” — uma paródia da Inês de Castro de Camões — e “Reformas”, no qual satiriza a proposta de reforma ortográfica defendida por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, membro fundador da Academia Brasileira de Letras..
Autora de poemas líricos, sonetos de amor e de temática religiosa, Alexandrina também escreveu poemas satíricos e escatológicos. Seu humor ácido era voltado à crítica dos costumes, da hipocrisia da elite e da exclusão das mulheres dos espaços culturais.
Após a morte de Guilherme Figueiredo, o caderno com os escritos de Alexandrina foi herdado por seus filhos. Parte de sua obra foi republicada na Antologia da poesia erótica brasileira, lançada em 2015 pela Ateliê Editorial, sob organização de Eliane Robert Moraes e em As mulheres poetas na literatura brasileira de Rubens Jardim.
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