Claudio Mubarac, nome de batismo Luiz Claudio Mubarac, (Rio Claro, 27 de setembro de 1959) é professor, gravador, curador e artista brasileiro, radicado em São Paulo desde 1978. Sua obra é reconhecida pela consistência e pela profunda pesquisa sobre a gravura, com destaque para a representação do corpo humano.
É professor de Artes Plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), lecionando disciplinas de desenho e gravura na graduação e na pós-graduação.
Participou de exposições, salões e bienais e algumas de suas obras foram adquiridas por instituições como a Biblioteca Nacional de Paris, Instituto Cultural Itaú, Museu de Arte de Portland e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Recebeu o prêmio de melhor delegação internacional na 23ª Bienal Internacional de Artes Gráficas de Ljubljana, Eslovênia (1999) e o Prêmio Bravo como curador da melhor exposição do ano pela mostra individual de Evandro Carlos Jardim, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2005).
Formação e Carreira Acadêmica
Claudio Mubarac graduou-se em Artes Plásticas em 1982 pela ECA-USP. Foi aluno dos reconhecidos artistas e professores Evandro Carlos Jardim e Regina Silveira.Universidade de São Paulo. Museu de Arte Contemporânea.. Amaral, Aracy (apres). Chiarella, Donato. Lourenço, Maria Cecília França. Mubarac, Claudio. Gravura : Buti, Hashimoto, Mubarac. São Paulo, MAC-USP, 1984. 1 v. Catálogo publicado por ocasião da exposição realizada em março de 1984, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.Mubarac, Claudio. Memorial Circunstanciado. São Paulo, L. C. Mubarac, 2003. p. 11, 22 p. Memorial - Professor doutor - Departamento de Artes Plásticas/Escola de Comunicações e Artes/USP. Iniciou seu mestrado em 1994, seguindo para doutorado direto em 1997, na mesma instituição em que defendeu a tese Notas Sobre Incisão (1998), com orientação de Evandro Carlos Jardim.Valu Oria Galeria de Arte (São Paulo).. Claudio Mubarac. São Paulo, Valu Oria Galeria de Arte, 1999. 1v. Catálogo de exposição de 05 a 28 de agosto de 1999.
Entre 1985 e 2003, atuou como professor de gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e como orientador no Ateliê de Gravura do Museu Lasar Segall, assumindo a coordenação do museu entre 1989 e 2000.Takahashi, Marcos Keith (prod). Musa, João (fotog). Watanabe, Marina Mayumi. Claudio Mubarac. São Paulo, Edusp, 1997. 145 p. Artistas da USP. Seu trabalho nessas instituições não apenas fortaleceu as práticas envolvendo a gravura no Brasil, em diferentes técnicas gráficas como litografia, xilografia e outras, mas também o posicionou como um consultor em projetos de arte gráfica, seja em curadorias ou na preservação de acervos históricos.
Mubarac foi professor convidado de gravura na ECA-USP entre 1994 e 1995. Em 2004 passou a compor o quadro de professores da instituição, lecionando disciplinas em desenho e gravura, sendo que em 2017 tornou-se professor titular de Desenho.Como professor na USP, orientou diversos alunos na pós-graduação na área de Poéticas Visuais.Yamauchi, Celina. De Prata e de Tinta. 2013. Tese (Doutorado em Poéticas Visuais) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. doi:10.11606/T.27.2013.tde-18112013-153141. Acesso em: 2025-06-22.
O trabalho de Claudio Mubarac foi incluído em publicações como Brazilianart III: Livro de Arte Brasileira (2003), publicação que reúne a produção de artistas contemporâneos brasileiros.
Intercâmbios Internacionais e Residências Artísticas A trajetória de Mubarac inclui experiências internacionais que contribuem com sua prática artística. Em 1993 foi contemplado com uma bolsa de estudos no Instituto Tamarind de Litografia no Novo México, onde permaneceu por cinco semanas desenvolvendo trabalho em litogravura num espaço que possibilitou a troca de experiências com mestres do ateliê.
Em 1994 foi convidado a participar de um intercâmbio com artistas brasileiros e britânicos que envolvia o ateliê London Print Workshop, o ateliê do Museu Lasar Segall, a oficinas do Solar do Barão e ateliês da Prefeitura de Porto Alegre.
Em 1996 recebeu a bolsa de residência do Civitella Ranieri Center, fundação estadunidense com ateliês para residência em Úmbria, onde desenvolveu seu trabalho enquanto estudava arte italiana renascentista.
No ano de 1999 mudou-se para Paris, onde ficou durante um ano, pois foi contemplado com a bolsa FAAP-Cité des Artes. Nesse período, entrou em contato com acervos e com o circuito de arte contemporânea francesa, desenvolveu sua produção artística e realizou pesquisas nos gabinetes de desenho e gravura da Biblioteca Nacional de França, onde teve contato com obras originais que até então só havia visto por reproduções.
Fazer Artístico e Temáticas A gravura é o meio de expressão privilegiado de Mubarac. Suas primeiras gravuras partem de elementos cotidianos e dialogam com a produção de artistas como Rembrandt van Rijn e Giorgio Morandi.Gravura: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende; design Rodney Schunck, Ricardo Ribenboim; fotografia da capa Romulo Fialdini. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000, p. 162.
Em sua produção se destaca a pesquisa de diversas técnicas gráficas, como gravura em metal, xilogravura, litografia, monotipia, fotografia e manipulação em computador. Em sua obra, combinou diferentes abordagens na mesma matriz para explorar as diversas possibilidades e complexidades das estampas. Ele demonstra grande conhecimento da história da gravura e possui desenvoltura com as várias técnicas gráficas. Em sua produção, as imagens do corpo humano e as referências à história da gravura são recorrentes.Instituto Moreira Salles (São Paulo). Musa, João. Farkas, Kiko. Claudio Mubarac: idéias de fabricação: pequeno atlas. São Paulo, Instituto Moreira Salles, 2008. 126 p. Catálogo publicado por ocasião da exposição itinerante realizada em maio de 2008 no circuito dos centros culturais e galerias do Instituto Moreira Salles.
Um aspecto central de sua poética é a compreensão da arte como um caminho para o autoconhecimento e para a compreensão do outro, o que o levou a eleger o corpo humano como tema recorrente. A estudiosa e crítica da arte Sônia Salzstein destaca sua originalidade ao manter o corpo como um "fato imaterial e móvel no espaço", recusando-se a enquadrá-lo em esquemas prévios de representação.
A estudiosa e crítica da arte Maria Alice Milliet notou que "o corpo assoma em sua produção cercado de certa emoção" e que os fragmentos da anatomia, embora precisos, são "tocantes porque são frágeis, hesitantes na ocupação do espaço".Milliet, Maria Alice (org.). O orgânico em colapso. Curadoria Maria Alice Milliet; texto Maria Alice Milliet; versão em inglês Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Valu Oria Galeria de Arte, 2002. 40 p., il. p&b color.
A fusão do tema (o corpo) com a linguagem (a gráfica) é um ponto-chave em sua produção. Como aponta o pesquisador e crítico Tadeu Chiarelli:Cada uma de suas estampas é indagação sobre a estrutura corpórea e psíquica, ao mesmo tempo que é uma indagação sobre a estrutura da gravura e sua tradição.Em 1988, aos 28 anos de idade, Mubarac sofreu um grave acidente de carro que o levou a refletir sobre a fragilidade da condição humana e a iminência da morte. Após retornar as suas atividades, realizou uma série de estampas representando seu corpo de forma fragmentada.Estação Pinacoteca (São Paulo). Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin.. Chiarelli, Tadeu (cur). Kinoshita, Hiromu. Bruzzone, Stefano. Araújo, Marcelo Mattos. Norman, John (trad). Andrade, Gênese (rev). Moura, Leticia. Watanabe, Douglas Kenji (ed). Musa, João (fotog). Objetos frágeis : a gráfica de Claudio Mubarac. São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Pinacoteca do Estado, 2006. 1 v. Catálogo publicado por ocasião da exposição realizada de 28 de agosto de 2005 a 29 de janeiro de 2006, Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin da Estação Pinacoteca, São Paulo.
No período de 1989 a 1995, sua obra expressa uma transição da visão externa da figura humana (os retratos) para a investigação das estruturas internas do corpo. Mubarac incorporou em suas matrizes observações que iam de radiografias a tratados de medicina, elaborando desenhos em ponta-seca. Os trabalhos integraram a exposição Objetos Frágeis: a gráfica de Claudio Mubarac (2006) na Pinacoteca de São Paulo. A crítica Sônia Salzstein notou que o conjunto de gravuras do artista se destacou pelo seu empenho em extrair da linha "um misto de despojamento e determinação".Museu de Arte Moderna de São Paulo.. Chiarelli, Tadeu (cur) (ideal) (texto). Cintrão, Rejane Lassandro (cur) (coord) (texto). Pedrosa, Adriano (trad). Musa, João (fotog). Reinés, Tuca (fotog). Villela, Milú (texto). Cocchiarale, Fernando (texto). Museu de Arte Contemporânea de Niterói.. Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador).. 97 Panorama de arte brasileira. São Paulo, MAM, 1997. 152 p. Catálogo publicado por ocasião da exposição realizada de 6 de novembro a 21 de dezembro de 1997, Museu de Arte Moderna de São Paulo, de 2 de fevereiro a 15 de março de 1998, Museu de Arte Contemporânea de Niterói e de 3 de abril a 17 de maio de 1998, Museu de Arte Moderna da Bahia.
Em seu percurso na gravura, implementou outras técnicas e materiais. Em muitos trabalhos utilizou a técnica da monotipia, que resulta em uma cópia única, optando pela não multiplicação das imagens. Também passou a transformar as estampas em objetos tridimensionais, gravando as imagens em folhas de ouro sobre chumbo. Em outra série, ele substituiu as folhas de ouro por folhas de prata.Blauth, Lurdi. Gravura contemporânea: Percursos e fronteiras entre meios convencionais e meios de reprodução gráfica. p. 1488-1500. In: Anais [do] 19º Encontro da ANPAP - Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, Cachoeira–BA, 20 a 25 de setembro de 2010 / Maria Virginia Gordilho Martins, Maria Hermínia Olivera Hernández (organizadoras). - Salvador: EDUFBA, 2010, 3000 p.
Recepção Crítica Críticos e artistas como Evandro Carlos Jardim, Tadeu Chiarelli e Sônia Salzstein destacam a qualidade da obra de Mubarac, a recorrência e transformação das imagens, seu amplo repertório, assim como o uso variado de técnicas gráficas. Sua trajetória artística é conhecida pela introspecção e pela forma como reflete sobre a fragilidade da existência humana, tendo como ponto marcante o período após o acidente que sofreu em 1988.
Nas palavras de Marcelo Mattos Araujo:Seu conhecimento da história da gravura mundial é enciclopédico, e o torna consultor permanente para a maioria dos projetos em torno dessa linguagem em nosso país.Araujo, Marcelo Mattos, Apresentação In Objetos Frágeis a Gráfica de Claudio Mubarac. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura Pinacoteca do Estado, 2006. Exposições
O artista participou de mais de uma centena de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, dentre elas:
Exposições Individuais
2018: Anatomias de Abril, Face Gabinete de Arte, São Paulo (SP) 2005-2006: Objetos Frágeis: A Gráfica de Claudio Mubarac, Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin, Estação Pinacoteca, São Paulo (SP) 1990: Paulo Figueiredo Galeria de Arte, São Paulo (SP)
Exposições Coletivas
1990: Coletiva de Gravuras, Centro Cultural São Paulo 1990: Panorama de Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo 1988: Mostra Internazionale di Grafica, Catânia, Itália 1988: Salão Paulista de Arte Contemporânea, Fundação Bienal de São Paulo 1987: Cinco Jovens Paulistas, Espaço Cultural 2001, São Paulo 1987: International Biennal of Graphic Art, Ljubljana 1986: Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano, Porto Rico 1985: Arte Jovem Paulista, Revista Arte em São Paulo, Galeria São Paulo 1985: Salão Paulista de Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo