O Ghetto Run Crew (GRC) é um coletivo e movimento cultural brasileiro, fundado em 2013 na Zona Norte do Rio de Janeiro por Júnior Negão. Concebido como uma ferramenta para a cultura de rua, rapidamente se estabeleceu como uma Crew, como o ato de corre, o Corre, como sua principal ferramenta de conexão e mapeamento territorial; com a missão de criar um espaço seguro para o diálogo, promovendo transformação social, inclusão e ocupação do espaço público. Ao longo do tempo, o GRC integrou esporte, arte e ativismo, conectando comunidades através da corrida, graffiti, pichação, moda, música e outras expressões culturais.

Reconhecido internacionalmente, o Ghetto Run Crew é descrito como uma "resistência cultural" que desafia estereótipos, combate o racismo e promove a representatividade da cultura suburbana. Sua contribuição no universo da corrida é notável, popularizando o termo "corre" no Brasil, o que influenciou a linguagem do esporte e inspirou a formação de outros grupos no país e no mundo.

História

Fundação e Origens (2013) O Ghetto Run Crew foi fundado em 2013 por Júnior Negão, inicialmente sob o nome de Ghetto Running Girls, com o objetivo de empoderar mulheres das periferias do Rio de Janeiro. A proposta era utilizar a corrida como uma ferramenta para a troca de experiências, bem-estar e fortalecimento comunitário, em um contexto onde o acesso a práticas esportivas era frequentemente limitado. O ponto de encontro oficial do grupo é o Estádio Nilton Santos (Engenhão), na Zona Norte do Rio, mas suas atividades se expandiram para diversos bairros periféricos, tanto no Brasil quanto internacionalmente.

Evolução e Contracultura Com a adesão de participantes de diferentes gêneros e origens, o grupo alterou seu nome para Ghetto Run Crew, refletindo sua abertura e diversidade, além de reforçar sua identidade e representatividade. O coletivo se posicionou como uma contracultura, diferenciando-se tanto do "running tradicional" quanto da "cultura de running crews" global, o posiconamento do Ghetto não era alinhado com os propositos das culturas que se fomaram. Apesar de ser uma contracultura, o Crew se descreve como uma ferramenta paralela, de igual importancia para o esporte. O GRC prioriza a ocupação de espaços marginalizados e a desconstrução de preconceitos, enfrentando desafios como a repressão e o racismo, especialmente ao correr à noite em favelas. Apesar desses obstáculos, o grupo consolidou sua filosofia de "respeito e transformação".

Reconhecimento Internacional A partir de 2015, o Ghetto Run Crew alcançou projeção global. Em 2018, Charlie Dark, do Run Dem Crew (Londres), um dos criadores da cultura de running crews, descreveu o GRC como "a running crew mais importante do mundo". A abordagem singular do Ghetto Run Crew, que combina esporte, arte e ativismo, serviu de inspiração para grupos de corrida em outros países, consolidando o subúrbio do Rio de Janeiro como um ícone da cultura de corrida de rua. Além disso, o grupo influenciou a linguagem do esporte no Brasil, com a popularização do termo "corre" em substituição a "correr".

Filosofia e Objetivos O Ghetto Run Crew se define como um movimento de "resistência cultural", utilizando o "Corre" para ocupar espaços públicos e promover a pesquisa de territórios apagados cultural e sistematicamente, promover a inclusão e combater estereótipos associados às periferias. Seus pilares incluem:

Transformação Social: Incentivar o bem-estar físico e mental, com foco em comunidades marginalizadas. Representatividade: Aumentar a visibilidade de indivíduos suburbanos no esporte, destacando figuras historicamente invisibilizadas. Ocupação do Espaço Público: Reivindicar ruas e favelas como locais de cultura e convivência, desafiando a violência e a repressão. Integração Cultural: Combinar o "Corre" (ato de correr) com graffiti, música, pichação, culinária, moda e outras expressões culturais para fortalecer laços comunitários e a economia criativa.

Atividades e Projetos O Ghetto Run Crew organiza diversas iniciativas, entre elas:

Corridas Noturnas: 2 vezes por semana. Eventos em Parceria: Colaborações com marcas como Nike (Nike + Run Club, 2015; Air Max Day, Pacote de Rua by Ghetto) e Adidas (Adidas Runners, 2020; campanha A Cultura do Pisante em 4 Dimensões, 2021; O Corre e A Correria; Pacote de Rua by Ghetto), promovendo treinos gratuitos e ações culturais. Projetos Sociais: Incluem o Ghetto 3x3 (basquete de rua, 2019), em parceria com o Basquete Cruzada, Thug 9 e o Hub RJ, e festivais de graffiti, como o Arte Na Rua Niterói e Arte na Rua Madureira, que se tornaram marcos no mercado das Artes Urbanas. ATAQFatcap: Evento itinerante que combina pintura de murais, rodas de conversa e corridas, realizado em parceria com coletivos como ZO Team, Familia Cinco Estrelas. Ghetto Colletiv: Hub criativo fundado em 2013 para promover arte, cultura e esporte, com foco em economia criativa e inclusão periférica.

Impacto Cultural O Ghetto Run Crew redefiniu a cultura da corrida no Brasil, popularizando o termo "corre" e inspirando a criação de outros coletivos. Sua abordagem desafia narrativas dominantes, promovendo a visibilidade de corpos negros e periféricos no esporte. O coletivo também contribuiu para a valorização de subculturas suburbanas e o fortalecimento da economia territorial, gerando "soluções cidadãs" em comunidades com pouco apoio governamental.

Internacionalmente, o GRC é reconhecido como um modelo de inovação sociocultural, exportando a "Ghetto Run Culture" para outras cidades e influenciando a percepção da corrida como ferramenta de transformação. O grupo contribui para a afirmação da potência suburbana como uma fonte de inspiração e um modelo de trabalho replicável globalmente.

Desafios O coletivo enfrentou repressão, racismo e exclusão, especialmente nos primeiros anos, quando correr à noite em favelas era visto com suspeita. Gisele Nascimento, cofundadora, enfrentou a dificuldade de ser uma mulher de outra favela (São Paulo) liderando em um novo contexto. Apesar desses desafios, o grupo superou os obstáculos, criando um ambiente seguro e democrático.

Colaboradores Notáveis

Júnior Negão: Fundador e líder, precursor da filosofia Ghetto, também conhecido como o "Pai do Corre". Gisele Nascimento: Co-fundadora e Membro de mais importância para o sucesso do Movimento.

Na Mídia O Ghetto Run Crew foi destaque em diversos veículos de comunicação, incluindo Gestalten (EUA), Mid Strike Magazine (2023), Veja Rio (2020), Extra (Globo, 2019), I Hate Flash (2019), RAPGOL, O Globo (2018), Runners World e Marie Claire. Uma série documental lançada em 2021 explora o impacto do movimento nas periferias.

Ver também Hip hop brasileiro [Funk Carioca] [Graffiti] [Pichação]

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